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3. HISTÓRICO DO PROJETO

A bacia do Alto Tietê, a montante da barragem Edgard de Souza, com uma área de drenagem da ordem de 3.200 km2 (excluindo-se a área da bacia do rio Pinheiros), constitui-se num dos exemplos mais notáveis do impacto da ação antrópica no meio ambiente e, mais particularmente, no comportamento hidrológico de uma bacia hidrográfica.

Ao longo dos anos, a cobertura vegetal foi dando lugar a uma estrutura urbana, implantada de forma caótica ao longo dos fundos de vale dos seus principais cursos d água, como o próprio rio Tietê, o Tamanduateí, o Pinheiros e, mais recentemente, em diversos dos tributários menores, como Aricanduva, Cabuçu de Cima e de Baixo, Guaió, Pirajuçara e outros.

Para agravar ainda mais as condições ambientais da bacia, muitos desses cursos dágua passaram a servir de meio de diluição de águas servidas domésticas e industriais. Este fato, aliado a uma disposição inadequada dos resíduos sólidos urbanos, tem trazido conseqüências graves durante os eventos de cheia.

A região onde estas alterações se fazem sentir mais intensamente, com notável índice de ocupação urbana, superior a 80%, corresponde ao trecho da bacia do rio Tietê entre as barragens da Penha e Edgard de Souza. O processo de urbanização, entretanto já está desfigurando também o restante da bacia, avançando pelos tributários e ocupando também suas vertentes e cabeceiras.

Ao longo dos anos, o trecho do rio Tietê que atravessa a cidade de São Paulo, sofreu alterações em suas condições de escoamento. Em sua condição natural, o rio Tietê e tributários importantes como por exemplo o Tamanduateí e o Pinheiros apresentavam morfologia caracterizada por meandros, o que indicava as baixíssimas declividades de seus talvegues e portanto, dificuldade para o escoamento das ondas de cheia, criando grandes zonas de inundação, chamados leitos maiores. Através de sucessivas retificações e canalizações procurou-se aumentar as suas pendentes e contê-los em canais mais amplos. Ganhou-se, com isto, espaço para que a urbanização pudesse se aproximar ainda mais dos canais dos rios. Em outros termos: a urbanização, através de construções lindeiras, como as vias marginais e edificações, invadiu o denominado leito maior do rio, espaço este que deveria ter sido reservado para suas enchentes periódicas. Seus principais afluentes, quando englobados pela mancha urbana, também sofreram este tipo de alteração, principalmente em decorrência de obras executadas em seus leitos.

Buscando a melhoria das condições de escoamento do rio, face à evolução destes fatores de ocupação e crescimento urbano, foram desenvolvidos e revisados, ao longo dos anos, diversos projetos hidraúlicos. Os primeiros estudos sobre o rio Tietê remontam a 1890 com os trabalhos da Comissão presidida por João Pereira Ferraz para a canalização do rio Tietê desde a Ponte Grande (atualmente Ponte das Bandeiras) até Osasco. Naqueles primórdios, a principal motivação para o desenvolvimento de projetos e de obras de retificação decorria, principalmente, da necessidade de saneamento das várzeas em consequência de epidemias de febre amarela. Pouco depois, os projetos e obras passaram a visar a produção de energia elétrica e a propagação de cheias. Assim, vários projetos foram desenvolvidos: de João Fonseca Rodrigues (1922), de Saturnino de Brito (1925), de Lysandro P. da Silva (1950) e Convênio Hibrace (1968), ressaltando-se aqui diversos estudos e projetos de ampliação da calha . Destacam-se dentre estes últimos, os projetos de ampliação de 1980 e de 1986, ambos elaborados pela PROMON, o último embasando o atual projeto de melhoria hidráulica do rio, em execução. Finalmente, destaca-se o estudo Hidroplan, de 1995.

A crescente urbanização da bacia fez com que as vazões de projeto dos canais do rio Tietê fossem cada vez maiores. Assim é que para o trecho Ponte das Bandeiras-Osasco, a vazão de projeto vislumbrada em 1894, que era de 174 m3/s, passou a ser de 400 m3/s em 1925, de 650 m3/s em 1968 e de 1.148 m3/s em 1986. No último estudo mencionado (HIDROPLAN 1995), este mesmo valor foi estimado em torno de 1.350 m3/s.

Também ilustrando a evolução ocupacional que vem ocorrendo em outras áreas da bacia e seus reflexos nas vazões do rio, menciona-se o caso do Tamanduateí, cujas vazões de projeto passaram de 60 m3/s, em 1893, para 120 m3/s em 1930 e para 484 m3/s em 1977, valor este que também está sendo objeto de revisão.


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